Dia Mundial do Jornalismo celebra a força da informação confiável

Criada em 2018, a data ganhou dimensão internacional ao destacar o papel do jornalismo profissional diante da desinformação e das transformações provocadas pela tecnologia

O Dia Mundial das Notícias é celebrado em 28 de setembro e foi criado em 2018 pelo Canadian Journalism Foundation (CJF), em parceria com o Project Censored. A iniciativa nasceu para valorizar o impacto positivo das notícias confiáveis na sociedade e destacar a importância do jornalismo baseado em fatos. A proposta também busca aproximar o público do trabalho realizado por jornalistas e veículos de comunicação.

Ao longo dos anos, a data ganhou participação internacional e passou a reunir organizações e profissionais de diferentes países em defesa de uma informação de qualidade. Em 2026, o tema é “Escolha o jornalismo confiável”. A campanha chama atenção para a importância da apuração, da credibilidade e do acesso à informação em um cenário marcado pela inteligência artificial e pela desinformação.

Nesse contexto, o acesso à informação se torna ainda mais importante como instrumento de transparência e de participação social. Levantamento da UNESCO mostra que 141 países possuem garantias legais de acesso à informação, mas ainda existem falhas na fiscalização, nos recursos, na gestão de documentos e na aplicação das leis. Para que esse direito seja efetivo, os órgãos responsáveis precisam ter autonomia, estrutura, recursos e proteção contra interferências indevidas. A existência da lei, por si só, não garante que a população consiga exercer plenamente o direito de saber.

O jornalista Branko Brkic, fundador do Project Kontinuum e do Daily Maverick e organizador do Dia Mundial do Jornalismo, escreveu um artigo para celebrar a data. Ele relata que começou sua carreira no mercado editorial da Iugoslávia, em meados dos anos 1980.

“Foi nesta época que os fatos compartilhados que mantiveram nossa sociedade unida por quatro décadas começaram a se desfazer, pouco a pouco. As pessoas já não conseguiam concordar sobre o que o país representava, seus valores básicos e, por fim, sobre o que realmente estava acontecendo. Centenas de milhares morreram, milhões foram deslocados e vidas foram destruídas. Comunidades inteiras ficaram devastadas, carregando por gerações os fragmentos de desumanidade e dor”, relata.

Branko Brkic diz que isso que o Dia Mundial do Jornalismo representa e, por isso, em 28 de setembro, mais de mil redações de mais de cem países celebram juntas a importância da informação confiável. A data reforça que o jornalismo é uma infraestrutura essencial das sociedades modernas.

“Assim como a água e a eletricidade, a informação é fundamental para a vida cotidiana. Seu valor, muitas vezes, só é percebido quando deixa de existir ou é substituída por conteúdos que parecem notícias, mas não são. Nesse cenário, defender o jornalismo é também defender o acesso à verdade e à informação de qualidade”, reafirma Branko Brkic.

Jornalismo enfrenta novos desafios digitais

Para marcar o Dia Mundial do Jornalismo, este portal ouviu jornalistas do Paraná para conhecer suas percepções sobre os desafios da profissão. Em uma era de rápidas transformações, a tecnologia e as redes digitais mudaram a forma de produzir, distribuir e consumir notícias.


O leitor passou a ter acesso a uma infinidade de informações, muitas vezes acompanhadas por diferentes opiniões e interpretações. Nesse cenário, nem todo conteúdo que circula retrata necessariamente a realidade ou passou pelo processo de apuração jornalística.


A proposta é ouvir quem vive o jornalismo diariamente e refletir sobre o papel da profissão diante das novas formas de informação.

“28 de setembro. Hoje, duas datas se entrelaçam: o Dia Mundial do Jornalismo e o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação. As duas datas reforçam a importância de garantir ao ser humano acesso à informação livre, plural e de fontes confiáveis, para que cada pessoa possa formar seu próprio juízo de valor.

A Abrajet-PR diz “sim” às duas datas e reafirma seu propósito de, por meio de seus associados, levar aos leitores informação responsável, independente e de qualidade”, destaca o jornalista de Curitiba, Jean Luiz Féder, associado da ABRAJET-PR (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Seccional Paraná) e diretor do site de npotícias, www.nowborging.com.br

“Jornalismo é compromisso com os fatos, com a verdade e, sobretudo, com a sociedade. É investigar o que muitos preferem esconder, questionar quem exerce o poder e dar voz a quem quase nunca é ouvido. Em tempos de desinformação e tentativas de silenciamento, fazer jornalismo com independência é também defender a democracia”, afirma o jornalista de Foz do Iguaçu e diretor do site de noticias www.fronteiralivre.com.br.

“No acordar do século XXI, o jornalismo tornou-se uma profissão mais que necessária. O combate à desinformação, às notícias falsas e descontextualizadas só é possível com o rigor da apuração, checagem de dados, cruzamento de fontes e técnicas de redação ínsita ao jornalismo, quando feito com responsabilidade social e sem a predominância de elementos do entretenimento fútil bastante comum na comunicação contemporânea”, reafirma a jornalista e escritora de Foz do Iguaçu, Denise Paro que escreve para meios de imprensa como H2foz e Folha de São Paulo.

“A exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão é fundamental para a democracia. Somente através da ética jornalística é possível combater a desinformação, combater as fake news. O momento é propício para aprovação da PEC do diploma de jornalista e apoiamos integralmente, enquanto jornalista diplomado e presidente da Abrajet Nacional, as articulações da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), na defesa regulamentação técnica e ética da atividade diante do cenário de desinformação no país“, anucia o presidente da ABRAJET Nacional, Luiz Pires.

Imagem; Na era da IA, aproveitamos este serviço para produzir uma imagem que pode retratar umm pouco na realidade do jornalismo

Texto: Silvana Canal
Fonte: Unesco

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