Pesquisa revela que gastronomia ganha espaço nas viagens dos brasileiros

Mercados, feiras, supermercados e comidas do dia a dia deixam de ser apenas paradas para comer e passam a fazer parte do roteiro de viagem

Viajar já não significa apenas conhecer monumentos, praias ou paisagens. Para uma parcela cada vez maior dos brasileiros, conhecer um destino também passa pela mesa. A gastronomia ganhou protagonismo no planejamento das viagens e, em muitos casos, deixou de ser consequência do roteiro para se tornar um dos motivos para escolher para onde ir.

Uma nova pesquisa realizada pelo Melhores Destinos, maior site de promoções de viagem do Brasil, mostra que 62% dos brasileiros consideram a gastronomia relevante na escolha de um destino. Para 43%, a culinária é um dos pilares da viagem, enquanto 19% afirmam que ela é determinante para a decisão. Apenas 6% dizem que a comida não exerce nenhuma influência na escolha.

O resultado revela uma mudança no comportamento do viajante. Mais do que procurar restaurantes sofisticados ou chefs conhecidos, o turista demonstra interesse em descobrir aquilo que faz parte da rotina de quem vive no destino.

A comida do morador como experiência turística

Quando a gastronomia entra no roteiro, 63% dos entrevistados afirmam ter interesse em conhecer o que os moradores comem no dia a dia. A preferência supera a busca por restaurantes renomados ou chefs reconhecidos, citados por 37% dos viajantes.

A diferença ajuda a explicar por que experiências aparentemente simples passaram a ganhar valor turístico. Uma feira de hortifrúti, um mercado municipal, uma banca de comida de rua, uma padaria de bairro ou mesmo um supermercado podem revelar mais sobre os costumes de uma cidade do que uma refeição em um restaurante voltado exclusivamente ao turista.

É nesses espaços que o visitante encontra ingredientes, temperos, frutas, verduras, doces, bebidas e preparações que fazem parte da identidade de uma comunidade.

A comida popular, nesse contexto, ganha uma nova dimensão. Ela deixa de ser apenas uma opção econômica para se transformar em uma experiência cultural. Ao observar o que as pessoas compram, como escolhem os alimentos, quais produtos estão nas prateleiras e o que chega diariamente às feiras, o viajante passa a compreender melhor o modo de vida daquele lugar.

Feira e supermercado também entram no roteiro

O interesse pelos hábitos alimentares locais amplia o conceito de experiência gastronômica. Para muitos viajantes, visitar um mercado central ou uma feira de rua não significa necessariamente procurar uma refeição, mas vivenciar o destino por meio de seus produtos e de suas pessoas.

O mesmo acontece nos supermercados. Para quem viaja, caminhar pelos corredores pode ser uma experiência de descoberta: embalagens diferentes, frutas desconhecidas, temperos regionais, produtos industrializados que não existem no país de origem e alimentos que fazem parte da rotina da população.

“A pesquisa mostra que esse interesse pela comida local leva os viajantes a lugares frequentados pelos moradores. Mercados centrais, feiras de rua e até supermercados passam a integrar os passeios por oferecerem um contato direto com os produtos e costumes locais. Muita gente se encanta ao passear entre os corredores dos supermercados e descobrir produtos diferentes daquele país”, afirma Leonardo Marques, fundador do Melhores Destinos.

Essa busca pelo cotidiano também acompanha uma tendência do turismo contemporâneo: a vontade de sair do roteiro tradicional e encontrar experiências mais autênticas.

Do ingrediente à mesa

O viajante também quer entender o caminho que o alimento percorre até chegar ao prato. Segundo a pesquisa, 52% demonstram interesse em participar de tours gastronômicos e 49% gostariam de visitar produtores.

A curiosidade transforma o processo de produção em parte da experiência turística. Rotas de queijos, vinhos, cervejas, cafés e outros produtos regionais mostram ao visitante não apenas o sabor final, mas também as pessoas, técnicas, histórias e territórios que estão por trás de cada produto.

É uma forma de turismo em que o alimento funciona como fio condutor para conhecer uma região.

Ao visitar uma propriedade rural, uma vinícola, uma pequena fábrica, uma feira de produtores ou um mercado tradicional, o turista amplia a percepção sobre o destino. O produto deixa de ser apenas um souvenir ou uma refeição e passa a carregar uma história.

O sabor também viaja de volta para casa

A experiência gastronômica não termina necessariamente quando o avião decola ou quando o carro pega a estrada de volta. Para 62% dos viajantes, temperos, doces, bebidas e outros produtos locais fazem parte da bagagem de retorno, seja como lembrança, seja para presentear familiares e amigos.

São produtos que prolongam a viagem depois do retorno. Ao abrir uma embalagem, preparar um prato ou provar novamente determinado sabor, o viajante recupera memórias do lugar visitado.

Nesse cenário, a gastronomia se consolida como uma das formas mais completas de conhecer um destino. Ela aproxima o visitante da população, revela hábitos, apresenta ingredientes, movimenta pequenos produtores e transforma espaços cotidianos — como feiras, mercados e estabelecimentos populares — em atrações turísticas.

Mais do que descobrir onde comer, o viajante brasileiro começa a querer saber o que as pessoas comem, onde compram, como produzem e por que aquele alimento faz parte da identidade daquele lugar.

E essa mudança pode influenciar diretamente a escolha do próximo destino. Afinal, para um número crescente de viajantes, uma viagem começa muito antes do embarque — e pode começar justamente pelo sabor.

53% gastariam mais de R$ 300 extras por uma experiência gastronômica

A alimentação já faz parte de qualquer orçamento de viagem, mas a pesquisa perguntou quanto os brasileiros aceitariam desembolsar além das refeições habituais. Os resultados mostram que há espaço no orçamento para experiências gastronômicas consideradas especiais.

Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados desembolsariam mais de R$ 300 adicionais por uma experiência gastronômica: 31% gastariam entre R$ 301 e R$ 600 e 22% aceitariam pagar mais de R$ 600. Outros 37% desembolsariam entre R$ 101 e R$ 300.

No total, 90% dos participantes afirmam que gastariam mais de R$ 100 por uma experiência gastronômica especial durante uma viagem. Apenas 2% dizem que não gastariam nenhum valor adicional.

Os resultados reforçam que a gastronomia não é vista apenas como uma necessidade durante a viagem. Para uma parcela relevante dos brasileiros, ela faz parte da própria experiência do destino e pode justificar um investimento adicional no orçamento.

“Fazer um bom planejamento de viagem permite incluir mais experiências e aproveitar muito melhor. Por isso é fundamental conseguir bons preços nos gastos nas passagens aéreas e hospedagem, que representam até 60% do valor total de uma viagem internacional”, explica Marques.

Redação: Silvana Canal com https://guiagphr.com.br/

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